Mad people do that.

domingo, agosto 08, 2010

It's the eternal sunshine of the spotless mind...

"Feliz o destino da inocente vestal. Esquecendo o mundo e por ele sendo esquecida. Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Toda prece é ouvida, toda graça é alcançada..."

Me pergunto se seria um pecado de proporções catastróficas ter a chance de esquecer. A chance de se livrar dos pesadelos e se tornar algo mais... Algo livre de monstros do passado com suas garras pegajosas e a prisão infernal de suas garras. Sem salvação, sem misericórdia. Se livrar das cicatrizes deixadas pela insensibilidade de outro, de outra... Ou talvez da sombra de seus próprios erros. É de imaginar que em meio à tantas lembranças, o esquecimento seja a chave fundamental para o equilíbrio. Mas quem entre nós, pobres humanos, é de fato equilibrado?
É de se questionar se podemos imaginar em nosso infinito questionamento se a busca pela felicidade fora encontrada no esquecimento, na fuga. Mas ao fugir daquilo que traz lágrimas de amargura e humilhação, não estamos sendo atirados aos braços do desprezo? Como é possível se qualificar o amor quando seu oposto fora negado a nossos olhos como grande parte do tudo que nos cerca em harmonia incompreensível à nossas mentes que apenas buscam o monopólio de tudo que estiver ao alcance de seus olhos. Em tamanho egocentrismo ainda buscam as explicações para a destruição em seu próprio mundo, em sua própria vida manchada por pecados de proporções infinitas.
É nisto que me pergunto se deveria ir pela raiz da sobrevivência humana. Esquecer e seguir em frente, eu suponho.
Esquecer não vai curar minhas cicatrizes por muito tempo, vai apenas entorpecê-las. Esquecer não vai me salvar de meus erros, vai apenas cegar meus olhos por minhas próprias escolhas póstumas. E assim então estou regredindo a um nível do qual desprezo: A ignorância.
Eu imagino que o sofrimento me faça imaginar que o que uma vez fiz não poderá ser repetido. Me deixar mergulhar na dor me lembrará de uma posição que não pode ser alterada por qualquer fuga desenfreada para longe de minhas escolhas. A minha posição.
No entanto, após tanto sofrimento e dúvida, me pergunto se o egoísmo seria de uma intensidade menor que a sanidade. Se me deixaria ser entregue à razão calculista ou à dor, que não poupa a ninguém, ou se me pertimiria ser abraçada pela ignorância como se esta fosse uma amiga bem recebida e frequente. Em um mundo cheio de ignorantes entorpecidos, seria de vantagem ser fria e calculista, amargurada pela dor e pelas cicatrizes ainda em chamas?
Ou seria desprezada por aquele a quem desprezo? Em um mundo onde o desprezo define a vida e suas infinitas colocações, não seria eu aquela cuja infinita sabedoria fora o principal fator para a ruína?
Me pergunto se desejaria o Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, ou se desejaria a fria dor da realidade.
Em ambos eu não estaria perdida, como todos os outros?

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Notas sobre o filme:
Um dos melhores filmes já feitos, estrelando Jim Carrey e Kate Winslet, ambos indicados ao Oscar de 2005, senão me engano. O filme se trata de uma das questões mais desejadas pela humanidade: A chance de esquecer a dor de um relacionamento que não dera certo.
Poder apagar a memória e fugir da dor.
A atuação de Jim Carrey fora fantástica em contraste com a personagem de Kate Winslet. Ambos são tão conturbados que é de se imaginar se haveria mais de um motivo para o relacionamento não dar certo.
Todos os pontos de vista são abordados de maneira nunca feita antes, e o filme é poético de uma maneira tão impressionante que na minha opinião, deveria estar entre os melhores filmes nos últimos 50 anos.
De fato, recomendo, por ser meu filme preferido!


Rocks \o/